sexta-feira, 6 de maio de 2016

Prédio do Dopinha será transformado em Centro de Memória

Prefeitura se compromete a comprar prédio do Dopinha para que ele vire Centro de Memória

Por Luís Eduardo Gomes/Sul21

Foto Divulgação Gabinete
O prefeito de Porto Alegre, José Fortunati, firmou um compromisso nesta quinta-feira (5) com representantes do Comitê Carlos de Ré da Verdade e Justiça, deputados estaduais e vereadores e vereadoras de que a prefeitura irá bancar a desapropriação do prédio do antigo Dopinha, localizado na rua Santo Antônio, 600.

O local, que funcionou como centro clandestino de repressão e tortura entre 1964 e 1966 – e onde foi morto o sargento Manoel Raimundo Soares -, dará lugar ao Centro de Memória Ico Lisboa, uma homenagem ao militante preso e assassinado pelo Regime Militar em 1972.

A desapropriação do prédio vinha sendo discutida desde 2011. Inicialmente, a ideia era que Prefeitura e o governo do Estado, ainda na gestão Tarso Genro (PT), deveriam dividir os custos da desapropriação e o governo federal ficaria a cargo da gestão do centro de memória. No entanto, o processo se arrastou lentamente e os representantes do Comitê Carlos de Ré decidiram pedir ao prefeito que a cidade assumisse o processo.

Nesta quinta, o Prefeito assumiu o compromisso de procurar a família proprietária do prédio para negociar a desapropriação. “A gente assume plenamente a compra do imóvel através da negociação da compra de índices construtivos. Vou solicitar a secretaria da fazenda agilidade deste processo pela importância histórica que o projeto tem. Essa é a primeira etapa”, afirmou. Pelo acordo, após a compra do imóvel pela prefeitura de Porto Alegre, o Comitê Carlos de Ré fica responsável pela administração do Centro de Memória.

Susana Lisboa, viúva de Ico Lisboa, comemorou a decisão. “Esse gesto do prefeito é fundamental num momento em que o País passar por um perigoso retrocesso onde muitos pedem a volta da ditadura”, disse.

Dopinha

Foto Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21
Alugado clandestinamente pelo Exército em 1964, o local é considerado o primeiro centro de tortura construído para essa finalidade. O casarão operou até meados de 1966. Um dos torturados e mortos no casarão foi o sargento Manoel Raimundo Soares, que, depois de morto, teve seu corpo atirado no Rio Jacuí. Apesar de ter as mãos amarradas, o laudo emitido pelas autoridades da época apontava que a causa da morte era suicídio. O episódio ficou conhecido como Caso das Mãos Amarradas.

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Fonte: Portal Sul21.