quarta-feira, 1 de junho de 2016

Mulheres defendem união e pedem fim da cultura do estupro em ato em Porto Alegre

Foto Joana Berwanger/ Sul21 
Cerca de 3 mil mulheres se reuniram em ato no Centro de Porto Alegre 

Presente no ato, a vereadora Sofia Cavedon (PT), Procuradora da Mulher na Câmara de Porto Alegre, afirma: Não é por ela, é por todas nós! Para acabar com o machismo golpista e restaurar a democracia!

Por Débora Fogliatto/Sul21

Não foram 33 contra uma, foram 33 contra todas. Indignadas com o estupro coletivo de uma jovem de 16 anos no Rio de Janeiro, mas tendo em mente que o abuso sexual é uma realidade cotidiana no país, cerca de três mil pessoas, segundo a organização — em sua maioria mulheres — protestaram no início da noite desta quarta-feira (1) em Porto Alegre. O ato “por todas elas” teve início na Esquina Democrática, por volta das 17h, e reuniu militantes de diversas correntes, partidos, coletivos e vertentes.

Foto Joana Berwanger/ Sul21
Unidas pelo fim do machismo, da cultura do estupro e da violência contra a mulher, ativistas se revezaram no microfone e, em seguida, seguiram em marcha pela rua Borges de Medeiros até a Praça da Matriz, onde encerraram o ato em frente ao Palácio Piratini. As manifestantes também protestaram pelo direito ao aborto e contra o governo interino de Michel Temer, que não nomeou nenhuma mulher para seus ministérios, além de criticarem o presidente da Câmara de Deputados Eduardo Cunha.

Os cartazes criticavam a culpabilização da mulher em casos de estupro, com frases como “a sociedade ensina ‘não seja estuprada’ ao invés de ‘não estupre'”, “ninguém perguntou o que os estupradores vestiam” e “estupradores são filhos saudáveis do patriarcado”. O afastamento da presidenta Dilma Rousseff também foi bastante mencionado durante as falas, que questionaram o fato de isso ter acontecido justamente com a primeira chefe de estado mulher.

Mulheres de diversos partidos se uniram no ato. 

Foto Joana Berwanger/ Sul21
Dentre as falas no microfone, diversas mulheres defendiam a união da esquerda e dos movimentos feministas em prol de uma causa maior. Uma das músicas entoadas foi uma das que surgiu nos atos contra Temer, ironizando uma reportagem sobre sua esposa, Marcela: “Nem recatada, e nem do lar, a mulherada ‘tá’ na rua pra lutar”. Foram cantadas também “Cadê o homem que engravidou? Por que a culpa é da mulher que abortou?”, “Mexeu com uma, mexeu com todas” e “Se cuida, seu machista, a América Latina vai ser toda feminista”.

As questões específicas das mulheres negras, que além do machismo sofrem com o racismo, também foram mencionadas. Reginete Bispo, coordenadora da organização de Mulheres Negras Akanni, lembrou que os dois preconceitos existem a partir da “ideia de dominação dos corpos”, que está naturalizada em nossa sociedade e é o que permite que aconteçam crimes como o estupro. Ela falou também da relação dessas violências com a situação política atual no país. “Dilma foi afastada por um Congresso composto por homens, velhos e brancos, que não suportam ver negros, jovens e mulheres empoderados”, colocou.

Um pouco antes de sair em caminhada, um grupo de mulheres colocou fogo em um boneco, representando os estupradores, violadores e homens que cometem violências contra mulheres em geral. Em seguida, o ato seguiu em marcha pela Borges de Medeiros e Jerônimo Coelho, onde moradores da rua piscaram as luzes dos apartamentos e jogaram papéis picados em apoio às manifestantes. Em frente ao Palácio Piratini, policiais militares protegiam o prédio, que estava isolado com cavaletes. Afirmando que esse é o primeiro de muitos atos do tipo que acontecerão, as mulheres se dispersaram por volta das 19h30, dividindo-se em grupos que iriam a locais próximos para ir embora.