quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Artistas e intelectuais estrangeiros divulgam manifesto contra impeachment de Dilma Rousseff

Artistas e intelectuais estrangeiros divulgaram, nesta quarta-feira (24/08), um manifesto em que condenam o impeachment da presidente brasileira, Dilma Rousseff, e defendem a democracia no país. 

Entre os 22 signatários do manifesto estão os escritores e ativistas Noam Chomsky (EUA), Naomi Klein (Canadá), Eve Ensler (EUA), Arundhati Roy (Índia); os atores Danny Glover (EUA), Viggo Mortensen (EUA), Susan Sarandon (EUA), Stephen Fry (Reino Unido); os cineastas Ken Loach (Reino Unido) e Oliver Stone (EUA); e os músicos Tom Morello (EUA) e Brian Eno (Reino Unido), entre outros.

A presidente Dilma Rousseff e o ator norte-americano Danny Glover, um dos signatários do manifesto divulgado nesta quarta-feira

Do Opera Mundi

Eles dizem estar “preocupados com o impeachment de motivação política” de Dilma, que instaurou um governo “não eleito”.

“A base jurídica para o impeachment em curso é amplamente questionável e existem evidências convincentes mostrando que os principais promotores da campanha do impeachment estão tentando remover a presidenta com o objetivo de parar investigações de corrupção nas quais eles próprios estão implicados”, diz o manifesto.

O documento também aborda a questão da falta de representatividade do gabinete do vice-presidente exercendo a Presidência interinamente, Michel Temer. “Lamentamos que o governo interino no Brasil tenha substituído um Ministério diversificado, dirigido pela primeira presidente mulher [do Brasil], por um Ministério composto por homens brancos, em um país onde a maioria se identifica como negros ou pardos”.

“Visto que o Brasil é o quinto país mais populoso do mundo, estes acontecimentos são de grande importância para todos os que se preocupam com igualdade e direitos civis”, afirma o texto.
O manifesto pede que os senadores brasileiros, que votarão no processo de impeachment a partir desta quinta-feira (25/08), “respeitem o processo eleitoral de 2014, quando mais de 100 milhões de pessoas votaram”. “O Brasil emergiu de uma ditadura há apenas 30 anos, e esses eventos podem atrasar o progresso do país em termos de inclusão social e econômica por décadas”, diz o texto.
Os signatários finalizam a declaração alertando para as consequências que o impedimento de Dilma pode ter para a América Latina. “O Brasil é uma grande potência regional e tem a maior economia da América Latina. Se este ataque contra suas instituições democráticas for bem sucedido, as ondas de choque negativas irão reverberar em toda a região”, afirmam.

Na quinta-feira (25/08), o Senado brasileiro retomará as discussões e julgará o impeachment da presidenta. Caso o Senado aprove o impedimento, Dilma será destituída oficialmente do cargo e ficará inelegível por oito anos.

Leia o manifesto na íntegra:

Nos solidarizamos com nossos colegas artistas e com todos aqueles que lutam pela democracia e justiça em todo o Brasil.

Estamos preocupados com o impeachment de motivação política da presidenta, o qual instalou um governo provisório não eleito. A base jurídica para o impeachment em curso é amplamente questionável e existem evidências convincentes mostrando que os principais promotores da campanha do impeachment estão tentando remover a presidenta com o objetivo de parar investigações de corrupção nas quais eles próprios estão implicados.

Lamentamos que o governo interino no Brasil tenha substituído um ministério diversificado, dirigido pela primeira presidente mulher, por um ministério compostos por homens brancos, em um país onde a maioria se identifica como negros ou pardos. Tal governo também eliminou o Ministério das Mulheres, Igualdade Racial e dos Direitos Humanos. Visto que o Brasil é o quinto país mais populoso do mundo, estes acontecimentos são de grande importância para todos os que se preocupam com igualdade e direitos civis.

Esperamos que os senadores brasileiros respeitem o processo eleitoral de 2014, quando mais de 100 milhões de pessoas votaram. O Brasil emergiu de uma ditadura há apenas 30 anos, e esses eventos podem atrasar o progresso do país em termos de inclusão social e econômica por décadas. O Brasil é uma grande potência regional e tem a maior economia da América Latina. Se este ataque contra suas instituições democráticas for bem sucedido, as ondas de choque negativas irão reverberar em toda a região.

Tariq Ali – escritor, jornalista e cineasta
Harry Belafonte – ativista, cantor e ator
Noam Chomsky – linguista
Alan Cumming – ator
Frances de la Tour – atriz
Deborah Eisenberg – escritora, atriz e professora
Brian Eno – compositor, cantor e produtor
Eve Ensler – dramaturga
Stephen Fry – ator e diretor
Danny Glover – ator e diretor
Daniel Hunt – produtor musical e cineasta
Naomi Klein – jornalista e escritora
Ken Loach – cineasta
Tom Morello – músico
Viggo Mortensen – ator
Michael Ondaatje – novelista e poeta
Arundhati Roy – escritor e ativista
Susan Sarandon – atriz
John Sayles – roteirista e diretor
Wallace Shawn – ator, dramaturgo e comediante
Oliver Stone – cineasta
Vivienne Westwood – estilista

Fonte: Portal Sul21.