quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Construção de escola sustentável na Vila São Judas Tadeu foi apresentada na Câmara

A construção da Escola de Educação Infantil Comunitária Vila São Judas Tadeu foi o assunto debatido no período de Comunicações Temáticas da sessão desta quarta-feira (14/9), na Câmara Municipal de Porto Alegre. O projeto da criação de uma escola sustentável e comunitária foi realizado pela comunidade em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e a Secretaria Municipal de Educação (Smed).

Foto Matheus Piccini/CMPA
A iniciativa foi da vereadora Sofia Cavedon que elogiou o esforço dos alunos da UFRGS e da comunidade, "que é guerreira, organizada e luta para ter um posto de saúde e um espaço para as crianças”, Sofia disse que o projeto da escola foi feito de uma maneira diferenciada para criar consciência, pertencimento e evolução ecológica na comunidade. “É possível e necessário criar o colégio. A Smed precisa priorizar a sua construção e não deixar que a burocracia impeça que seja criada uma escola que será para alem dos muros.

A vereadora é autora de projeto de lei que tramita na Casa Legislativa criando as condições mínimas de qualidade de infraestrutura, conforto ambiental, sustentabilidade e segurança, para projetos arquitetônicos de construção de escola nova e readequação das escolas públicas em Porto Alegre.

A vila São Judas Tadeu está localizada entre as avenidas Bento Gonçalves e Ipiranga e fica ao lado da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). A comunidade existe há mais de 50 anos, abrigando cerca de 700 famílias, e está passando por um processo de legalização, pois surgiu pela ocupação dos moradores. De acordo com Roberto Oliveira, ex-presidente da Associação da Comunidade e responsável por implantar a Escola, essa é uma demanda antiga, pois não há nenhum espaço coletivo para a integração e, por consequência, as crianças crescem nas ruas. “Tem muita gente que foi parar no presídio central. É um absurdo o que acontece com a nossa comunidade. A Escola é fundamental para o presente e o futuro da vila.”

Foto Matheus Piccini/CMPA
Oliveira comentou que, desde 2009, conseguiram legalizar o terreno destinado à construção e arrecadar os recursos através do Orçamento Participativo do Município (OP). Em 2011, a associação de moradores procurou a UFRGS para criar um projeto sustentável e participativo. Assim, formou-se um grupo de trabalho com a universidade, os moradores e a Smed para colocar em prática as ideias da comunidade. Em março de 2012, foi entregue à Prefeitura Municipal o esboço final da escola com a participação de todos os residentes.

Foto Matheus Piccini/CMPA
A arquiteta e urbanista Gabriela Giácobbo Moschetta, que auxiliou no processo, conta que cada detalhe foi planejado para oferecer uma educação simples e sustentável. “Temos placas fotovoltaicas para captar a energia solar, ventilação natural com técnicas de ventilagem cruzada e efeito chaminé, salas de aula com o melhor posicionamento solar para os alunos e professores, espaço externo com vegetação e uma horta comunitária no segundo andar do prédio para melhorar a qualidade de vida das crianças e da comunidade.”

Entretanto, mesmo com os recursos disponíveis no OP e com o projeto no Executivo municipal há mais de 4 anos, a Escola ainda não saiu do papel. Roberto Oliveira afirma que o custo para esta construção é menor, se comparado com o de uma escola tradicional nos moldes existentes. “Por causa da burocracia, a prefeitura está deixando de fazer um projeto que poderia ser referência no Brasil inteiro.” Para o morador, o problema da violência surge pela falta de escolas e de educação para as crianças. “Vidas estão se perdendo na comunidade, e não adianta depois mandar a polícia lá porque a vila é perigosa. Quem é violenta neste caso: a prefeitura ou a comunidade?”, questionou Oliveira.

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