sábado, 29 de outubro de 2016

Oposição desde já - Por Sofia Cavedon

Foto Marta Resing
Na cidade vanguarda da democracia participativa, berço das mais generosas experiências de gestão para inversão de prioridades, para os direitos, resultado da efervescência política e cultural – que seguem inspirando povos de todo o mundo - não haverá neste domingo de segundo turno, a opção de escolha entre um projeto conservador e outro com perspectiva emancipatória e de justiça social para Porto Alegre – e isso é muito doloroso. 

Somos muitos e muitas que caminham, ocupam, abraçam, cantam na resistência à gentrificação, à venda dos espaços públicos, à concessão direito de construir para especular em detrimento da moradia popular, de privilégios para carreiras em detrimento do conjunto dos e das funcionárias, ao lado da ampliação da terceirização de serviços degradadora das intervenções urbanas e exploradora de trabalhadores que não tem direitos básicos respeitados.

Somos muitos resistentes à retirada da arborização para ampliar automóveis nas ruas, a projetos ditos modernizantes que desconhecem solenemente a manifestação contrária da cidadania e ocupam nossos espaços abertos para o rio...

Somos muitos que percebem, denunciam e votam contra o uso clientelista, autoritário e muitas vezes corrupto do orçamento público que caracterizaram as últimas gestões da cidade.

Não fomos capazes, é bem verdade, de colocar no segundo turno alternativa que represente este desejo de cidade, muito por nossos erros, um deles, as alianças e concessões que fomos fazendo no país a partidos da ordem – desigual, pois que injusta e violenta.  Exato por isso não fizemos a democratização da mídia, que tem seu partido e é do capital que a sustenta. Justo porque não fizemos a reforma agrária ao aliançar com representantes do latifúndio, não fizemos a reforma tributária, pois que a renda de poucos tem suas trincheiras na frente política que financiam, então paga mais impostos a maioria que vive do seu trabalho do que os rentistas improdutivos. Não fizemos por fim reforma política, onde as coligações e o voto uninominal, a diferença material das campanhas, as regras beneficiam os já estabelecidos, não permitem o voto soberano e consciente.

Se nacionalmente esses tempos de coalizão paradoxalmente também nos levaram a experimentar alvissareiras políticas de enfrentamento da miséria, da exclusão e de acesso à educação e moradia, já aprendemos que as forças conservadoras reagem suprimindo inclusive padrões democráticos duramente conquistados e iniciam novo ciclo neoliberal no país, buscando recompor os lucros do capital através da retirada de direitos, entrega da riqueza nacional e redução do estado.

E, infelizmente, nossa brava Porto Alegre, mesmo com seus fortes atos de resistência ao golpe, aos ataques à educação, à saúde e à segurança no estado e no país, não conseguiu colocar candidato a prefeito em contraponto a isso nas alternativas que chegaram ao segundo turno.

Mas, política e cidadania não se reduzem ao momento do voto. Será na construção de consciências, mobilização e força social que as mudanças que sonhamos acontecerão! Votaremos nulo e qualquer dos eleitos terá de respeitar esta força. Não daremos trégua ao golpismo, ao autoritarismo e ao preconceito, nem aqui nem acolá! 

Sofia Cavedon - Vereadora PT