sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Encontro Nacional do MUDA PT

Acontecerá em Brasilia nos dias 02 e 03 de dezembro o encontro nacional do movimento MUDA PT, que busca alterações nos rumos do nosso partido.

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A necessidade de um Congresso Extraordinário | por Raul Pont

A derrota eleitoral e política que sofremos em 2016 cobra do partido uma resposta à altura da gravidade da crise.

As correntes minoritárias do PT, unidas no movimento MUDA PT, defendem neste momento a convocação de um Congresso Extraordinário – com plenos poderes – para fazer uma profunda reflexão sobre o golpe parlamentar que cassou a Presidenta Dilma, as novas políticas econômicas e sociais assumidas pelo Governo Temer e a derrota eleitoral sofrida pela esquerda no País, em particular, a do nosso partido.

A gravidade da conjuntura vai muito além do processo eleitoral. Ocorre em um momento de grande ofensiva da direita com a conjunção do elitismo judiciário e do estado de exceção criado em torno da Operação Lava Jato, com a cumplicidade da mídia monopolizada que tudo justifica como medidas necessárias para combater a corrupção e retirar o país da crise que o paralisa.

A ofensiva da direita, o impeachment de Dilma e a derrota eleitoral não ocorreram apenas pela capacidade de articulação e mobilização dos partidos neoliberais e conservadores. Ocorreram também pelos erros cometidos por nossa ação partidária e pelos encaminhamentos feitos pelo governo após a vitória eleitoral apertada e difícil que logramos com a reeleição de Dilma em 2014.

Já vínhamos acumulando um forte desgaste desde o “mensalão“ em 2005. Com a Operação Lava Jato, fomos tragados pela vala comum da corrupção. O monopólio midiático encarregou-se de impor a versão da responsabilidade maior da corrupção na Petrobrás ao PT. Apesar da corrupção sistêmica e histórica do capitalismo brasileiro, a seletividade do judiciário e o massacre da mídia consagraram a versão da responsabilidade petista.

A outra razão que nos distanciou da base social que nos garantiu a vitória em 2014 foi a mudança na condução da política econômica e na rendição programática e ideológica ao cerco que a direita fazia na defesa do “ajuste fiscal” e da “austeridade dos gastos públicos”.

Em 2015, além da marca da corrupção pagamos o preço do afastamento da base social do governo, que não via nenhuma identidade com as políticas desenvolvidas pelo ministro Levy.

Estava aberto o caminho para a traição e o golpismo do PMDB. Na presidência da Câmara Federal, o deputado Eduardo Cunha (PMDB) encarregou-se de consolidar uma agenda de “pautas-bomba” que encurralavam crescentemente o governo e consolidavam um bloco majoritário e golpista. A “Ponte para o Futuro“ foi o instrumento programático para selar o acordo com o PSDB na direção da derrubada do governo Dilma. Atingido, também, pela Operação Lava Jato, o dep. Cunha desencadeia o processo de impedimento contando com o apoio aberto da mídia e a cumplicidade do Judiciário. Mesmo sem provas e com acusações casuísticas, prevaleceram as razões do “conjunto da obra” para garantir a consecução do golpe no Senado.

A derrota eleitoral foi o desfecho, o resultado previsível desse processo. O abandono do partido por um grande número de prefeitos e vereadores, aproveitando a “janela legal” da reforma eleitoral e a flagrante diminuição do número de candidatos eram sinais que apontavam na direção do fracasso eleitoral.

A crise que vivemos, no entanto, vai muito além da derrota eleitoral. Esta não é circunstancial, conjuntural ou passageira. Suas raízes são mais profundas e por isso exigem um duplo esforço partidário. Por um lado, manter a luta de oposição a esse governo ilegítimo e usurpador e as políticas neoliberais que vem aprofundando e, por outro, mas simultaneamente, realizarmos uma profunda reflexão e autocritica no partido para que possamos recuperar a confiança, o apoio e o protagonismo da nossa base social na reconstrução partidária. Essa é a maior e mais urgente tarefa que temos que enfrentar no Partido dos Trabalhadores.

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Fonte: Portal da Democracia Socialista (DS)

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