segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Parada Livre de Porto Alegre completa 20 anos como marco de visibilidade e força política da população LGBT

Foto Guilherme Santos/Sul21
Parada Livre reuniu  milhares de pessoas no Parque da Redenção, em Porto Alegre

Por Luís Eduardo Gomes/Sul21

Em 1997, 150 pessoas se reuniram na primeira edição da Parada Livre de Porto Alegre, então uma iniciativa do grupo Nuances de trazer para a capital as Paradas do Orgulho LGBT que se espalhavam pelo mundo desde a revolta de Stonewall, nos EUA, em 1969. Neste domingo (13), dezenas de milhares de pessoas passaram pelo Parque  da Redenção desde às 14h para acompanhar as atrações da 20ª edição do evento.

Para Sandro Ka, do Grupo Somos, um dos organizadores do evento, em seus 20 anos a Parada abriu o caminho para que gerações de gays, lésbicas, bissexuais, transexuais, travestis e transgêneros de Porto Alegre pudessem expressar suas sexualidades abertamente.

Foto Guilherme Santos/Sul21
“Se em 1997, a gente tinha poucos referências de expressão de sexualidade de forma pública, as pessoas jovens hoje já tem um referencial de um caminho aberto”, afirma Sandro. “A parada abriu as portas para que as expressões de sexualidade fossem mais públicas e de forma mais tranquila”.
Dirigente do Núcleo de Defesa dos Direitos Humanos da Defensoria Pública, a defensora Mariana Py Muniz Cappellari salienta que a Parada tem sido fundamental do ponto de vista de dar visibilidade para a população LGBT.

“São 20 anos de luta e reconhecimento e conquista. Como a própria parada diz: rompendo normas e conquistando territórios”, afirma a defensora. “Teve o impacto de dar visibilidade, que era o que o movimento queria desde o início, mas também de quebrar com os pré-conceitos e intolerância que a gente encontra na sociedade. A questão da violência contra a população LGBT, por exemplo, ainda tem índices muito altos no Brasil e em Porto Alegre”.

Foto Guilherme Santos/Sul21
Além da importância para dar visibilidade à população LGBT, Sandro também avalia que a parada é essencial do ponto de vista político, ainda mais em um momento de avanço de forças conservadoras no País.

“A gente tem 20 anos de conquistas que vêm se somando, mas também são ameaçadas nesse momento político por uma onda conservadora muito forte. A parada reafirma um compromisso para que as pessoas mostrem a sexualidade com a sua plenitude, mas também estejam atentas de que se expressar na rua desse jeito é também um ato político”, afirma.

Luciano Victorino, do coletivo Juntos LGBT, que ao longo do tempo se somou à organização do evento, salienta também a renovação que ocorreu entre os grupos de defesa dos direitos LGBT ao longo dos últimos 20 anos e também na organização da Parada. “O Nuances e o Somos tiveram a frente de muitas paradas desde o início, mas é muito interessante ver hoje diversos coletivos se formando nas universidades e nas escolas e já participando da construção da parada, que é algo histórico. Reunir hoje 50, 60 mil pessoas num dia destinado à população LGBT é muito significativo. Muito mais do que uma festa, é uma manifestação política em defesa dos nossos direitos”, avalia.

Foto Guilherme Santos/Sul21
Presente em quase todas as edições da Parada, a drag queen Letícia Dumont valoriza ainda a mensagem transmitida pela Parada. “Tem que ter amor, respeito, diversidade. A gente tem que ter tudo isso no coração”, avalia.

Na mesma linha, Márcia Leal, que liderou uma equipe de borboletas no palco da Parada, afirma que o colorido das roupas e fantasias dos artistas presentes no evento ajuda a causar uma “memória fotográfica positiva” nas centenas de crianças que acompanham a Parada todos os anos. “Qualquer visibilidade positiva é necessária. Eu venho todos os anos e encontro as famílias que já vêm ha muitos anos”, afirma.

De acordo com os organizadores, a Parada Livre deste domingo reuniu entre 50 e 60 mil pessoas ao longo do dia na Redenção. Além da Parada Livre, também foi realizada neste domingo a 9ª edição da Marcha Lésbica de Porto Alegre.

Fonte: Portal Sul21