quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Seminário na Câmara trata de cultura, literatura e política

O seminário Revistas Literárias – século XX – 100 Anos de Rupturas Estéticas e Políticas ocorreu na tarde desta quarta-feira (9/11) na Câmara Municipal de Porto Alegre, com a participação de 54 alunos do Ensino Médio do Colégio Estadual Paula Soares e promovido pelo Memorial do Legislativo da Capital em parceria com o gabinete da vereadora Sofia Cavedon (PT). O evento fez parte da exposição Cem Anos de Revistas Literárias, que integra a programação da 62ª Feira do Livro de Porto Alegre e está aberta à visitação no saguão da Câmara até 18 de novembro.

Foto Esteban Duarte/CMPA
“A cultura ocupa um papel fundamental na problematização da vida e é a primeira área a ser censurada em períodos de ditadura, porque ela faz pensar”, iniciou a vereadora Sofia ao explicar aos estudantes presentes, na sala 303, o significado do conceito de cultura. “É o nosso modo de pensar, ser, estar, refletir a sociedade e buscar mudanças”. Sofia também comentou sobre as ocupações que estão ocorrendo nas escolas e universidades públicas, afirmando que a juventude do século XXI está lutando pela sua própria história, e encerrou dizendo que “a gente precisa aprender a pensar diferente”. O seminário foi coordenado pelo filósofo, escritor, músico e integrante da banda poETs, Alexandre Brito, que contou que “a arte sempre esteve presente nos períodos de transformações da sociedade brasileira”.

Palestras

Foto Esteban Duarte/CMPA
Dividido em dois painéis, Literatura e Política no Brasil e As Revistas Literárias e a Cultura Brasileira, o seminário contou com as presenças do servidor municipal, historiador, mestre e doutor em Educação/Ufrgs, Jorge Barcellos, e da artista plástica, escritora e coordenadora do Castelinho do Alto da Bronze, Sandra Santos, que palestraram sobre os respectivos temas. Barcellos fez uma reflexão sobre a produção cultural brasileira focando na relação entre a literatura e a política. Citando grandes poetas e escritores do século XXI como Lima Barreto, Carlos Drummond de Andrade, Euclides da Cunha, entre outros, Barcellos disse que “o sentimento de expressar em livros e revistas a sua maneira de ver o mundo” era o que os motivava a escrever. Nesse momento, ele expôs que a geração atual precisa descobrir o que a motiva para transcrever a forma como ela vê e sente o mundo. “Escrever, se expressar faz parte da cidadania. Não dá para se limitar a aprender, apenas, como se faz uma redação para o vestibular”. Por fim, ele afirmou que a política "é a construção de uma obra de arte permanente: o bem público".

Falando sobre as revistas literárias, Sandra Santos disse que elas foram um espaço de resistência em que os poetas criavam os próprios meios de divulgar a sua arte, mesmo sem possuir apoio financeiro, pois não conseguiam lugar nos espaços “oficiais”. “Eles faziam, mimeografavam e iam para os bares vender as revistas”, contou, mencionando que, na atualidade, temos muitos espaços de resistência como o Twitter, Youtube, blogs e sites. “A arte tem que ocupar todos os espaços possíveis, sem deixar de ser um grãozinho de pensamento que cause algum sentimento nas pessoas”, finalizou.

A exposição Cem Anos de Revistas Literárias continua até o dia 18, das 8h30min às 18 horas, no saguão da Câmara Municipal. A entrada é gratuita.

Fonte: Portal da CMPA.