terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Ameaçados de ficar sem 13º salário, municipários aprovam estado de greve

Foto Guilherme Santos/Sul21


Depois da assembleia, centenas de municipários/as partiram em caminhada até a prefeitura

Por Jaqueline Silveira

A ameaça do pagamento parcelado do 13º salário e só para 2017 foi o combustível para os municipários e municipárias de Porto Alegre realizarem, na tarde desta terça-feira (13), uma das maiores assembleias da categoria nos últimos anos. Na Casa do Gaúcho, os cerca de 2 mil servidores/as decidiram entrar em estado de greve até janeiro, mês do pagamento da primeira folha da nova gestão da Capital, comandada por Nelson Marchezan Júnior (PSDB). Já para o dia 21 de dezembro, a categoria aprovou paralisação, caso o governo José Fortunati (PDT) não pague o 13º salário na data anterior, 20. Os/as municipários/as também aprovaram a apresentação de um projeto de iniciativa popular, que precisará de coleta de assinaturas, na Câmara de Vereadores com objetivo de pedir uma auditoria nas contas do Executivo municipal. Além disso, os/as servidores/as aprovaram uma moção de repúdio à Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 55, aprovada na manhã desta terça pelo Senado e que prevê um teto de gastos para áreas essenciais, como saúde e educação, pelos próximos 20 anos.

Antes de os servidores se manifestarem ao microfone, um dirigente do Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa), leu um ofício enviado por Fortunati comunicando que a folha deste mês e o 13° poderão ser pagos em dezembro. Isso porque o prefeito voltou atrás, ainda na manhã desta terça, e confirmou o desconto de 12% para o contribuinte que pagar antecipadamente o Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU) 2017. No documento, o chefe do Executivo informou que se uma parcela dos porto-alegrenses pagar com desconto poderá alcançar uma receita suficiente para a folha e o 13º.  Fortunati chegou a anunciar o desconto em novembro, mas revogou a própria decisão a pedido do futuro prefeito.

Enquanto não sair uma confirmação definitiva, os municipários ficarão alerta. “O Estado de greve significa que a qualquer momento a categoria poderá entrar em greve, fazer paralisação ou convocar assembleia”, explicou Alberto Terres, um dos diretores do Simpa. A decisão de manter o estado de greve até o primeiro mês de 2017, conforme o dirigente sindical, deve-se ao fato de o futuro prefeito já adiantar que o Executivo poderá ter dificuldades para pagar a folha de janeiro. “Vamos permanecer em permanente mobilização”, avisou Terres. Sobre o grande número de participantes na assembleia, o diretor afirmou que a categoria entendeu a importância do momento. “Foi uma assembleia muito positiva, os municipários atenderam o nosso chamado e entenderam a importância da unidade”, acrescentou Terres.

Foto Marta Resing
Municiários/as superlotaram a Casa do Gaúcho e votaram, além do estado de greve até janeiro, por uma dia de paralisação caso não recebam 13º salário

A opinião do dirigente sindical foi compartilhada por servidores que se manifestaram. “Essa é a maior assembleia dos últimos anos e o recuo do Fortunati é fruto da nossa luta”, frisou o servidor João Ezequiel, coordenador do Conselho de Representantes Sindicais da Saúde. O anúncio do parcelamento do salário, segundo ele, causou revolta entre os municipários, motivando a participação expressiva na assembleia. “Gerou indignação, uma revolta em toda a categoria”, contou ele, enfatizando que cada setor começou a se articular diante do parcelamento do 13° salário.

Além do governo Fortunati, sobraram críticas para o futuro prefeito, em virtude de medidas já adiantadas por ele. O tucano já sinalizou com a possibilidade de enxugamento da máquina municipal com possíveis extinções e privatizações de órgãos. “Nós precisamos estar fortalecidos para enfrentar o governo Marchezan”, disse um dos servidores. “Ele vai enfrentar muita resistência dos municipários”, completou outro colega.

Ao final da assembleia, os/as municipários/as enfrentaram o calor escaldante da Capital numa caminhada até a Prefeitura onde foram entregar a decisão tomada pela categoria minutos antes. Depois, os participantes se dirigiram à Praça da Matriz para dar apoio aos/às servidores/as estaduais mobilizados contra o pacote do governo José Ivo Sartori (PMDB), que prevê, entre outras medidas a extinção de nove fundações e demissões.

Fonte: Portal Sul21

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