quarta-feira, 22 de março de 2017

Autonomia da mulher e aborto provocam polêmica

Foto Gabinete
Representantes de movimentos feministas e vereadores debateram sobre a legalização de procedimento.

A Saúde das Mulheres e Meninas, um Direito a Garantir foi o tema tratado na sessão desta quarta-feira (22/3) dentro do período de Comunicações Temáticas da Câmara Municipal de Porto Alegre. A ex-vereadora Jussara Cony (PC do B) falou em nome da coordenação da Conferência Estadual da Saúde das Mulheres, que, segundo ela, será parte decisiva na luta de gênero contra a perda dos direitos. A presidente da Marcha Mundial das Mulheres, Cíntia Barenho, foi a outra convidada a discutir o assunto - que gerou polêmica no plenário.

Conforme Jussara Cony, milhares de mulheres adoecem por conta da tripla ou dupla jornada de trabalho. Os números demonstram, reforçou ela, a medicalização delas por meio do aumento das doenças psiquiátricas. Para a ex-vereadora, a reforma da Previdência não leva em conta a dupla jornada e exige a mobilização da sociedade como um todo e das mulheres em especial.

Foto Ederson Nunes/CMPA
Cíntia Barenho assinalou a luta de gênero contra uma sociedade patriarcal e capitalista. “Para nós, autonomia é decidirmos sobre nossa vida”, disse. No seu entendimento, a autonomia passa pelo direito da mulher de definir como deve constituir suas famílias, principalmente no Brasil. Na sua opinião, do ponto de vista do movimento feminista, o país está atrasado, sendo um lugar "onde é negado o direito das mulheres de decidirem sobre os seus corpos". Cíntia defendeu a legalização do aborto no país. “A sociedade tem de acolher e aceitar essa mulher, caso ela não queira ter o filho, ou apoiá-la plenamente ao optar pela maternidade”, reforçou.

Após a manifestação de vereadores na tribuna, Cíntia voltou a falar. Lamentou que talvez tudo o que foi dito pelas mulheres no plenário não tenha sido escutado. “Não estaríamos aqui falando de genocídio. A questão do aborto é uma  questão de saúde publica. As mulheres estão buscando a autonomia de seus corpos, e a gravidez não é uma responsabilidade única das mulheres”, disse, destacando que o aborto é a quarta causa de morte materna.

Foto Ederson Nunes/CMPA
A vereadora Sofia Cavedon (PT), procuradora da Mulher na Casa, lamentou que a Câmara Municipal agora tenha "uma bancada da bala". “Temos a bancada que defende o uso de amas pelas vida; isso é contraditório”, ressaltou. A vereadora lembrou que a Marcha das Mulheres une o gênero no mundo contra o tráfico de mulheres, o estupro e a morte por abortos clandestinos. “São indicadores brutais do século XXI que atingem a liberdade e a dignidade das mulheres. Mulheres que são criminalizadas porque buscaram esse último recurso, pois a sociedade é hipócrita”, disse. Sofia afirmou que, no Brasil, devemos avançar na descriminalização das mulheres que abortam, pois elas são vítimas e não criminosas. “A mulher adoece pelas sete horas a mais semanais que acumula na sua jornada de trabalho. Nossa luta é pela autonomia da mulher”, finalizou.

Foto Ederson Nunes/CMPA
A ex-vereadora Jussara Cony finalizou sua participação no debate ressaltando que é mãe de cinco filhos, avó de 19 netos e de 12 bisnetos. “Não considero o aborto como método contraceptivo, mas as mulheres estão morrendo por abortos clandestinos. Estamos trabalhando com seriedade e lutando contra a precarização do trabalho, da violência doméstica, da violência nas ruas e em favor da independência econômica feminina”, concluiu, lembrando a importância da definição de políticas publicas que dialoguem.

Leia a integra da matéria no Portal da CMPA.