sexta-feira, 31 de março de 2017

Mulheres e a Democracia com Dilma Rousseff

Foto Leonardo Contursi/CMPA
Veja aqui o registro fotográfico do evento.

Dilma: “O empoderamento das mulheres trouxe conquistas significativas, que retiraram o Brasil do Mapa da Fome”

“Vocês não imaginam como eu me sinto emocionada, muito honrada e muito feliz de estar aqui com vocês. Eu queria agradecer a cada uma aqui presente, vocês deram uma demonstração maravilhosa, todas as entidades ali na escadaria, assim que eu cheguei. É uma recepção inesquecível”. Foram as palavras da ex-presidenta Dilma Rousseff ao entrar no Plenário Otavio Rocha da Câmara de Porto Alegre, nesta quinta-feira (30), para proferir a Conferência: “Mulheres e a Democracia”, promovida pelo mandato da vereadora Sofia Cavedon,  Procuradora Especial da Mulher   e Líder da Bancada do PT da Câmara Municipal, a Procuradoria Especial da Mulher da Assembleia Legislativa e entidades e movimentos sociais. O plenário estava lotado, na maioria por mulheres, que receberam Dilma ao som de “companheira me ajuda. Sozinha ando bem, mas contigo ando melhor”.

Foto Denise Iwamoto
A conferência foi aberta pela vereadora Sofia Cavedon que afirmou: “Dilma é o símbolo da mulher brasileira, da mulher de luta. O nosso mês de março não podia terminar de forma mais significativa. Dilma é a legitima presidente do povo brasileiro. O golpe foi para atingir a classe trabalhadora e retirar direitos”. A vereadora agradeceu as entidades que ajudaram a organizar o encontro. A procuradora especial da mulher do RS, deputada Manuela D’Ávila declarou: “Eu vim ouvir a mulher que os golpistas tiraram do poder, para retirar os direitos da classe trabalhadora. Muito obrigada pelo exemplo como mulher”.

Dilma falou da situação política: “Vivemos tempos muito difíceis e isso é em toda a América Latina. Tivemos um momento, na última década, em que nós mulheres, mas também os homens, lutamos e conseguimos de certa forma, através de governos de esquerda, impedir em nossos países a agenda do neoliberalismo, o aumento da desigualdade e que a retirada de direitos tivesse lugar nos nossos países”.

A presidenta questionou a “normalidade” com que a sociedade trata a o trabalho doméstico: “é normal assumir um trabalho doméstico, que sejamos responsáveis pelos cuidados que temos com os membros da família. Essa pele compromete cada uma de nós e trata as empregadas domésticas de uma forma que lembra resquícios do escravismo. Nós descobrimos que junto com o direito de greve tínhamos que lutar por trabalho igual, salário igual. Descobrimos que na luta contra a ditadura, tinha claramente uma questão de gênero”. A Dilma questionou o tratamento recebido pela mídia: “Eu era uma mulher dura em meio a homens meigos, em outros momentos eu era uma mulher frágil, que não devia ir ao cenário enfrentar o momento decisivo do impeachment”.

O golpe

Foto Leonardo Contursi/CMPA
Houve um golpe parlamentar porque houve um impeachment sem crime de responsabilidade. Foi necessário dar o golpe parlamentar porque ganhamos quatro eleições, impedindo a implantação do programa neoliberal e reafirmamos a soberania do Brasil, enquanto eles queriam privatizar.  A razão principal para o golpe foi impor ao país um novo programa que retira os pobres do orçamento, torna inflexível a política de controle de gastos, que não podem crescer com educação, segurança, saúde e ciência e tecnologia, mas, podem crescer com o pagamento de juros, atingindo principalmente as mulheres”, admirou a ex-presidenta.

“O processo de empoderamento das mulheres trouxe conquistas significativas, que retiraram o Brasil do Mapa da Fome. A pobreza tem a cara feminina, negra e de criança. O Programa Bolsa Família tem a mulher como centralidade. Não há política social no Brasil que não tenha como base o empoderamento das mulheres. A mulher numa família do Brasil pobre é um fator essencial de carinho, afeto, proteção e garantia de sobrevivência. Nós queríamos colocar as crianças nas escolas e garantir para as mães e gestantes o pré-natal e as vacinas das crianças. 14 milhões de famílias atendidas pelo bolsa família. Não há política social que não tenha como base: a casa, a aposentadoria e a educação. O Estado brasileiro quando der subsídios deve priorizar quem tem menos renda”, destacou Dilma.

Foto Marta Resing
A presidente afastada criticou a reforma da previdência que atinge principalmente as mulheres, que não terão com o se aposentar pelas novas regras e terão o Benefício da Prestação Continuada reduzido, a partir da desvinculação do salário mínimo, atingindo principalmente a trabalhadora e o trabalhador rural. “A reforma da previdência é para mudar o modelo predominantemente público para um modelo predominantemente privado”.

Dilma criticou a Lei da Terceirização que terceiriza a atividade fim, contornando a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT). “A empresa terceirizada paga menos do que a empresa principal. Este trabalhador terceirizado vai ter um subemprego na vida e aposentadoria na morte. Democraticamente um programa desses não passa. O golpe foi dado para que se adote um programa que de maneira alguma seria aprovado pelo voto popular”.

Foto Beth Di Gesu
A palestrante lembrou que o Brasil não é um país parlamentarista e que o presidente só pode ser retirado em caso de crimes graves. “Mudaram as regras no meio do jogo e criminalizaram o orçamento. Muitos dos que votaram a favor do golpe votaram pelo conjunto da obra, o que não tem base na constituição. Mas, tem uma imensa pedra no meio do caminho (para os golpistas): a eleição de 2018 e quem ganha em qualquer pesquisa é Luiz Inácio Lula da Silva. Por isso o nosso foco é este encontro marcado com a democracia em outubro de 2018. Farão de tudo para impedir que o povo de novo se manifeste e só tem uma força capaz de impedir que os piores cenários se concretizem. Esta força é o povo brasileiro”.

Ao final da conferência as entidades e movimentos sociais deram para Dilma uma cesta com presentes e a ex-vereadora, Jussara Cony, leu uma poesia em homenagem à primeira mulher presidente do Brasil.

Promoveram o evento:

Vereadora Sofia Cavedon (PT) - Procuradora Especial da Mulher/CMPA  / Deputada Estadual Manuela D'Ávila (PCdoB) - Procuradora Especial da Mulher/AL-RS / ACMUN - Associação Cultural de Mulheres Negras / AMT- Associação de Mulheres Trabalhistas/RS / APLPS - Ass. Promotoras Legais Populares / CLADEM - Comitê Latino-Americano e do Caribe para a Defesa dos Direitos da Mulher / ATEMPA - Associação dos Trabalhador@s em Educação de Porto Alegre / CMP - Central de Movimentos Populares / Coletivo Feminino Plural / CTB - Central dos Trabalhador@s do Brasil / CUT - Central Única d@s Trabalhador@s / Fegam - Federação Gaúcha das Associações de Morador@s /  Frente Gaúcha Escolas Sem Mordaça / Ilê Mulher / Inclusivass / Kizomba Lilás / LBL - Liga Brasileira de Lésbicas / MAB - Movimento Atingid@s por Barragem / MMM - Marcha Mundial de Mulheres / MNCP - Movimento Nacional de Cidadãs Positivas / MNLM - Movimento Nacional de Luta pela Moradia / MPA - Movimento Pequen@s Agricultor@s / MST - Movimento Sem Terra / ONG Guayí / SEMAPI - Sindicato dos Empregad@s em Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Fundações Estaduais do RS / SIMPA - Sindicato dos Municipári@s de Porto Alegre / Sindicato Farmaceutic@s / THEMIS – Gênero, Justiça e Direitos Humanos / UAMPA - União das Associações de Morador@s de Porto Alegre/RS / UBM - União Brasileira de Mulheres / Unegro - União de Negr@s pela Igualdade

Redação: Luis Carlos de Almeida e Catiana de Medeiros