quinta-feira, 2 de março de 2017

Pedido para revogação do Decreto pauta debate na Câmara

Foto Marta Resing
Sofia Cavedon (PT) disse que não se pode medir a educação apenas em índices como Ideb. É preciso levar em conta as peculiaridades de cada aluno. "Não se pode avaliar um aluno numa única prova igual para todos. Isso é uma visão de educação antiquada, que consolida a exclusão social. "Sofia lembrou que alunos brasileiros são considerados experts em robótica, mas para muitos estudantes, o simples fato de aprender a falar,a se expressar, já é uma grande vitória. 

O secretário municipal de Educação compareceu ao plenário para explicar mudanças

Nesta quarta-feira (1/3), a Câmara Municipal de Porto Alegre recebeu o secretário municipal de Educação, Adriano Naves Brito, para debater, no Plenário Otávio Rocha, sobre a mudança no tempo dos períodos de aula do Ensino Fundamental. Até hoje, os alunos tinham cinco períodos diários de 50 minutos, com exceção da quinta-feira, quando a aula era encerrada às 10 horas para reunião pedagógica. O novo governo municipal determinou que, a partir deste mês, haja cinco períodos de 45 minutos, diariamente, e, durante as reuniões, os alunos fiquem com o professor auxiliar. Professores lotaram as galerias do plenário para protestar.

O secretário ocupou a tribuna para destacar como funcionará o novo cronograma, esclarecendo sobre os questionamentos do projeto e o momento da educação na Capital. Segundo ele, o objetivo da gestão da Smed é focar em novas diretrizes para a organização da rotina diária nas escolas da rede pública de Porto Alegre. “Os alunos terão aumento de 27,8% (3 horas e 45 minutos) do tempo em sala de aula com os professores. Já a carga horária dos professores terá ajuste de apenas 1,27% (15 minutos) a mais por semana. É uma organização da rotina onde há o aprendizado é a prioridade.”

De acordo com o secretário, a medida mantém a carga mínima de quatro horas/aula por dia e de 800 horas por ano, além da reserva do tempo para as atividades de planejamento do professor. As mudanças atingem todas as escolas da rede. Com as alterações, os professores terão 7 horas e 15 minutos de hora/atividade por semana (antes eram 7 horas e 30 minutos). Conforme Brito, o objetivo é garantir aos alunos mais tempo de ensino e melhor qualidade.

Foto Marta Resing
O secretário de Educação usou o exemplo da estudante Gabriele, de 7 anos, que, pelo processo de carga horária antigo, provavelmente não chegaria ao término do 5º ano do Ensino Fundamental. “Essa menina tem grandes dificuldades nas matérias de português e matemática, e é onde mais cai o índice de desenvolvimento. Ela tem 30% de chance de concluir, devido à situação da estrutura que hoje se encontra o ensino na nossa capital. Estamos procurando dar a condição do professor entregar ao aluno o que lhe é de direito, que é uma educação de qualidade”.

Qualificar o tempo da criança na escola e qualificar o tempo com o professor em sua didática diária são os objetivos das mudanças, segundo o secretário, assim como ter uma orientação básica trabalhada para que se produzam resultados satisfatórios. “A escola é o lugar de recepção do aluno, acolhimento no tempo que ele precisa, para impactar na sua formação, no ensino, alimentação e educação", frisou.

Considerações finais 

Nas considerações finais, Adriano Brito afirmou que a discussão de hoje foi profícua. “Só quero acalmar a situação e a oposição sobre o clamor por diálogo. Preciso esclarecer o que de fato estamos discutindo. Deixo claro que o diálogo está aberto”, disse. “Temos uma reunião agendada com o Simpa no dia 7 de março para discutir a questão funcional, que nada tem a ver com a organização da rotina escolar. Nós nunca fechamos as portas. Em nenhum momento fomos autoritários. Estou disposto a ir a todas as 56 escolas da rede municipal”, informou.

Ele pediu que as escolas apresentem para a secretaria quais são as suas demandas. “Nos faltam informações precisas sobre os recursos humanos, estamos preparados para o processo, mas ainda não recebi nenhuma proposição concreta por parte do sindicato”, ponderou.  Ao concluir, Brito ressaltou que a sociedade fala pouco das crianças. “Nós temos que prometer um futuro aos nosso alunos”.

Questionamentos

Foto Marta Resing
A vereadora Sofia Cavedon, em sua primeira manifestação, disse que seu coração salta pela boca no momento dessa discussão. “Estou assim porque sei que cada um de nós está assim. Estamos emocionados e indignados, por isso gostaríamos de contar ao senhor secretário de educação e sua equipe como é de fato a realidade nas escolas municipais. Posso afirmar que o senhor está errado”, declarou.

A parlamentar pediu que o secretário vá visitar as escolas e veja o diagnostico do ensino que esta previsto no Plano Municipal de Educação, aprovado na Câmara Municipal. De acordo com Sofia, o currículo são todos os tempos e espaços oportunizados na escola. “Começa na porta da escola. Avançamos muito, através de muito debate, para considerar todas as crianças no seu momento de desenvolvimento. Nossa educação se tornou mais inclusiva. O senhor fala em democracia mais revoga o decreto organizador da rotina escolar”, concluiu.

Veja no Portal da CMPA a íntegra da matéria.