sexta-feira, 3 de março de 2017

Professores decidem rejeitar diretrizes da Prefeitura e seguir calendário definido em 2016

Foto Maia Rubim/Sul21
Professores lotaram salão da Paróquia da Pompéia para assembleia da categoria nesta sexta

Luís Eduardo Gomes/Sul21

Centenas de professores da rede municipal de educação de Porto Alegre lotaram, na manhã desta sexta-feira (3), o salão da Paróquia da Pompéia, no bairro Floresta, para realizar uma grande assembleia a respeito das mudanças na organização da rotina escolar proposta pela Prefeitura no dia 21 de fevereiro. Eles decidiram rejeitar as novas diretrizes do governo municipal e manter, quando as aulas recomeçarem, na segunda-feira (6), os calendários que haviam sido aprovado pelos conselhos de cada escola ainda em 2016.

As divergências entre professores e a Prefeitura começaram no dia 21 de fevereiro, quando o prefeito Nelson Marchezan Jr. (PSDB) revogou um decreto de 2004 que definia a rotina de organização das escolas municipais que oferecem turmas de 1º ao 9º ano, isto é, recebem alunos de 6 a 14 anos. Até o momento, a Prefeitura não emitiu nenhum decreto substituto, apenas uma portaria com diretrizes que definem mudanças nos horários de entrada e saída dos colégios, redução dos cinco períodos de aula de 50 para 45 minutos diários, redução do recreio de 20 para 15 minutos e obrigatoriedade de que os professores titulares de cada turma estejam com os alunos durante todos os períodos diários.

O objetivo das medidas, segundo a Secretaria Municipal de Educação (Smed), é aumentar o tempo de contato entre professores e alunos. Mas, de acordo com a Atempa, sindicato que representa os professores municipais, acontecerá o contrário. Os educadores questionam a argumentação da Smed de que, atualmente, eles não dão aula durante os 50 minutos de cada período e que estes são entrecortados por lanches. Eles dizem que a decisão de retardar o início das aulas, das 7h30 para às 8h, apenas irá diminuir a carga horária em sala de aula e que as mudanças farão com que os alunos fiquem desassistidos durante os períodos das refeições.

As novas diretrizes geraram uma grande reação dos professores municipais já a partir do dia seguinte ao anúncio para diretores de escolas. Protestos diante da Smed reuniram centenas de pessoas, mas, nesta sexta, a categoria deu uma demonstração ainda maior de unidade, lotando o salão da paróquia, sem que houvesse espaço para que mais pessoas entrassem no local, outras centenas se reuniram do lado de fora para aguardar o resultado do encontro.
Foto Maia Rubim/Sul21

Professores votam durante a assembleia desta sexta-feira

A assembleia definiu a rejeição das novas diretrizes para organização escolar definidas em portaria da Prefeitura. Os professores seguirão, a partir de segunda-feira, o calendário que havia sido combinado com as comunidades escolares em 2016. “A rotina escolar de chegada na escola às 7h15 para tomar café e o início das aulas às 7h30 no turno da manhã. A mesma coisa correspondente no turno da tarde”, explica Fabiane Pavani, diretora da Atempa.

Para Fabiane, a presença maciça de educadores na assembleia demonstra que a decisão é “absoluta” e representa a totalidade da categoria. Ela ainda afirma que, até o momento, todos os conselhos escolares têm decidido por manter o calendário aprovado no ano passado. “A nossa intenção é que o prefeito revogue o decreto, mantenha a normalidade do início do ano letivo e inicie um processo de discussão”, afirma.

A assembleia decidiu ainda que, a reunião marcada para a próxima terça (7) entre o secretário Adriano Naves de Brito e os representantes do sindicato, também contará com diretores de escolas e representantes dos conselhos escolares – formado por pais, alunos, funcionários e professores. “Para que ele possa fazer essa discussão diretamente com quem está envolvida nessa situação de mudança da rotina escolar”, afirma Fabiane.

Os professores reclamam que a Smed não tem dialogado com eles sobre as mudanças. “O secretário nos recebeu no primeiro dia de mobilização em frente à Smed. Fez o mesmo comunicado que fez para as direções. Depois que ele foi à Câmara de Vereadores (na última quarta-feira), pedimos uma nova audiência. Ele não deu nenhuma resposta e confirmou, pela imprensa, que dia 7 está nos aguardando”, afirma.

Foto Maia Rubim/Sul21
Após a assembleia, os professores partiram em marcha pela Av. Alberto Bins em direção ao Paço Municipal para comunicar o prefeito sobre a decisão tomada pela manhã e exigir a revogação do decreto emitido no dia 21 de fevereiro. Durante a marcha, representantes da categoria afirmaram no carro de som que os eventos desta sexta consistiam um “momento histórico” de mobilização dos educadores municipais.

Fonte: Portal Sul21