quinta-feira, 23 de março de 2017

Servidores do Banrisul lotam Assembleia em apoio à frente contra privatização

Foto Guilherme Santos/Sul21
Ato de lançamento da Frente Parlamentar em defesa do Banrisul Público lotou o auditório Dante Barone, na Assembleia Legislativa. 

A vereadora sofia Cavedon esteve presente no evento em apoio à categoria e contra a privatização do Banco do Estado

Marco Weissheimer/Sul21

O auditório Dante Barone, da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, ficou pintado de azul no início da noite desta quarta-feira (22), no ato de lançamento da Frente Parlamentar em Defesa do Banrisul Público. Vestindo camisetas azuis da campanha contra a privatização, centenas de funcionários do banco lotaram o auditório em apoio à iniciativa proposta pelo deputado Zé Nunes (PT), que obteve a assinatura de 24 parlamentares para a criação da frente. “Estamos aqui hoje porque o Banrisul está sob risco. Estamos vivendo uma conjuntura de privatização do patrimônio público e de diminuição do Estado em todo o país. Há poucos dias, tivemos o anúncio do projeto do governo federal para a renegociação da dívida dos estados que coloca como contrapartida para os mesmos a privatização de empresas públicas nas áreas da energia, do saneamento e das instituições financeiras. Essa ameaça é real”, frisou Zé Nunes na abertura do ato de lançamento da frente parlamentar.

Respondendo a alguns críticos que consideraram desnecessária a criação da frente pela suposta inexistência de risco de privatização do Banrisul, o parlamentar lembrou alguns fatos recentes da vida política do Rio Grande do Sul. “No final do ano passado, o governo Sartori extinguiu um conjunto de importantes fundações do Estado. Além disso, temos aqui na Assembleia, neste momento, projetos propondo a privatização da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), da Companhia Riograndense de Mineração (CRM) e da Sulgás”. Zé Nunes apontou ainda a potência que o Banrisul representa, com mais de 11 mi servidores e agências presentes em todos os 430 municípios do Estado, sendo que, em 96 deles, ele é a única instituição financeira presente.

Foto Guilherme Santos/Sul21
Presidente da Confederação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf), Roberto Van der Osten definiu o ato de lançamento da frente como uma tarefa de resistência extremamente importante. “Estamos lutando para evitar a repetição do que ocorreu nos anos 90, quando foram retirados os instrumentos de crédito da maioria dos estados do país e repassados para a iniciativa privada”, assinalou. Os estados que fizeram isso, acrescentou Van der Osten, não resolveram o problema de seu endividamento. “Estamos assistindo agora a uma verdadeira intervenção federal que quer obrigar os Estados a privatizar os bancos públicos que restaram no Rio Grande do Sul, Espírito Santo, Sergipe, Pará e Distrito Federal. E as ameaças não param por aí. O Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e a própria CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) estão em risco”.

Funcionários do Banrisul querem fortalecer e ampliar a mobilização em todo o Estado.

O ato de lançamento da frente parlamentar também contou com a presença de um deputado da base do governo José Ivo Sartori. Gilberto Capoani (PMDB) disse que, em um primeiro momento, não tinha compreendido a finalidade da frente pois não via qualquer possibilidade de privatização do Banrisul. Capoani disse ter mudado de ideia após o deputado Zé Nunes ter explicado que a frente tinha uma perspectiva de curto, médio e longo prazo. “O interesse do mercado pelo Banrisul é evidente”, admitiu. “Se vier algum projeto aqui para a Assembleia propondo o fim da necessidade de um plebiscito para a privatização do Banrisul ou mesmo se for criado um plebiscito para tanto, quero percorrer os quatro cantos desse Estado em defesa do banco que faz parte da alma do povo gaúcho”. Capoani disse que pretende convencer a bancada do PMDB a fechar posição em defesa do Banrisul e garantiu que o governador Sartori informou a bancada peemedebista que não pretende enviar para a Assembleia nenhum projeto propondo a privatização do banco.

Everton Gimenis, presidente do Sindbancários: “não podemos acreditar em promessas de governo”. 

Foto Guilherme Santos/Sul21
O presidente do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região (Sindbancários), Everton Gimenis, afirmou, por sua vez, que não é possível acreditar em promessas de governo. “Lembremos que o ex-governador Antonio Britto garantiu que não iria privatizar a CRT (Companhia Riograndense de Telecomunicações). Agora, mais recentemente, vimos o governador Sartori desejar longa vida à Fundação Piratini e logo em seguida propor a sua extinção. Não podemos acreditar nessas promessas. Precisamos aumentar nossa organização e mobilizar toda a sociedade com um debate sobre a importância da manutenção do Banrisul público e sobre o mau negócio que seria para todo o Estado a privatização do banco”.

Gimenis também lembrou que, entre os três estados mais endividados do país – Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro, dois deles (MG e RJ) venderam seus bancos públicos e não resolveram o problema da dívida. “Mesmo que não passe aqui na Assembleia a proposta de abolir a exigência dos plebiscitos, o governo pode apostar na realização dos mesmos. Por isso, precisamos nos organizar, nos mobilizar como estamos fazendo aqui hoje e levar esse debate para toda a sociedade”, defendeu.

Foto Guilherme Santos/Sul21
Na mesma linha, o presidente da CUT-RS, Claudir Nespolo afirmou que o 22 de março vai entrar para a história como registro de uma luta importante, mas também como o de uma tragédia. “Este dia 22 de março passa para a história pela instalação dessa potente frente em defesa do Banrisul. Cada agência será transformada em uma trincheira em defesa do Banrisul. Mas este dia passará para a história também como uma tragédia. Estão votando o fim do emprego decente e instalando a terceirização na Câmara dos Deputados”.

Deputados do PT, PCdoB, PSOL, PDT e PTB também se manifestaram em defesa da manutenção do Banrisul público. Ao final, o ato de instalação da frente aprovou uma carta ao povo gaúcho e outros encaminhamentos. Entre eles, a solicitação de uma audiência com o governador José Ivo Sartori e a criação de frentes parlamentares municipais e microrregionais para ampliar e fortalecer em todo o Estado a mobilização contra as privatizações de empresas públicas.

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