sábado, 1 de abril de 2017

Centrais sindicais e movimentos sociais selam unidade para greve geral de 28 de abril

Foto Guilherme Santos/Sul21
Ato pela Democracia e contra as políticas do governo Temer reuniu milhares de pessoas no centro de Porto Alegre.

Por Marco Weissheimer/Sul21

A convocação de uma greve geral para o dia 28 de abril foi o eixo central do ato convocado por centrais sindicais e pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, no início da noite desta sexta-feira em Porto Alegre (31). Todas as intervenções de dirigentes de líderes de sindicatos e movimento sociais convergiram numa mesma convocação: no dia 28 de abril vamos parar o país. Essa unidade reuniu representantes de cinco centrais sindicais e das frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo que se concentram na Esquina Democrática para o ato em defesa da democracia e contra as reformas propostas pelo governo Temer, especialmente nas áreas da Previdência e da legislação trabalhista.

Oniro Camilo, presidente da Nova Central Sindical no Rio Grande do Sul, disse que o Brasil atravessa o momento mais difícil de sua história e fez uma convocação para que todas a as centrais sindicais e movimentos sociais façam uma convocação de porta em porta para a greve geral do próximo dia 28 de abril. “Tem muita gente que ainda não sabe quais serão as conseqüências dos projetos da terceirização e da Reforma da Previdência. “No dia 28 vamos parar tudo, desde a ponte do Guaíba até a BR 116”, afirmou Camilo.

Representando a Intersindical, Neiva Lazarotto, destacou a importância da mobilização desta quinta-feira como mais uma etapa em um processo de acumulação de forças. “Estamos em um processo de acumulação de forças para alterar a atual correlação de forças políticas no pais. Os governos Temer, Sartori e Marchezan representam as mesmas políticas que precisamos derrotar. Não entregaremos nossos direitos sem luta e sem enfrentamento”, anunciou.

Foto Guilherme Santos/Sul21
Após concentração na Esquina Democrática, caminhada seguiu pela Borges de Medeiros até o Largo Zumbi dos Palmares

Vicente Selistre, da Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), reforçou a importância da unidade para enfrentar as políticas do governo Temer. “Estamos aqui para ampliar e fortalecer a nossa unidade. Estamos aqui em nome daqueles que resistiram à ditadura, daqueles que morreram e até hoje estão desaparecidos.” Na mesma linha, Érico Correa, da CSP Conlutas, defendeu a importância da unidade para a construção da greve geral do dia 28 de abril. “Queremos construir a mais ampla unidade dos trabalhadores que o Brasil já viu. Essa unidade requer respeito às nossas diferenças”, enfatizou Érico diante de um público que apresentava uma inédita conjunção de bandeiras do PSOL, PCB, PCdoB, PT, PSTU, PCO e PC do B.

Claudir Nespolo, presidente da Central Única dos Trabalhadores no Rio Grande do Sul, fe uma convocação à população que passava pela Esquina Democrática para se juntar à mobilização contra as políticas do governo Temer. “Todos devemos ficar preocupados. Eles decidiram passar a conversa na população e inventaram que a Previdência é deficitária. Alem disso, procuram vender a ideia de que a CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas) é deficitária. Há dois anos, estávamos em uma situação de pleno emprego. A CLT não impedia o pleno emprego, pelo contrário, era um fator gerador de trabalho e renda”, afirmou o dirigente da CUT.

Foto Guilherme Santos/Sul21
Manifestação desta quinta contou com a presença de cinco centrais sindicais e de diversos movimentos sociais e partidos.

Cláudia Favaro, da Frente Povo Sem Medo, também falou sobre a importância estratégica da greve geral convocada para o dia 28 de abril. “Nossa tarefa até o dia 28 não é fácil. Nenhuma central sindical ou movimento social, isoladamente, é capaz de construir a greve sozinho. Essa unidade precisa ser construída na prática. Precisamos reconquistar nossos territórios nas fábricas, locais de trabalho e escolas”, enfatizou. Maria do Carmo, da Frente Brasil Popular também falou sobre o caráter estratégico da unidade na atual conjuntura política. ˜Estamos na segunda fase do golpe, marcada por uma ofensiva sobre os direitos da classe trabalhadora. Não aceitaremos esse retrocesso. A democracia é um valor inestimável e não vamos abrir mão dela e de conquistas já consolidadas”.

Após o ato na Esquina Democrática, os manifestantes seguiram pela avenida Borges de Medeiros até o Largo Zumbi dos Palmares, onde a mobilização terminou. A caminhada do Centro até a Cidade Baixa ocorreu sem incidentes, sendo acompanhada por efetivos da Brigada Militar e da EPTC. No Largo, ainda ocorreu uma etapa final, com falas de dirigentes do PSOL, PT, PCdoB, PCB e PSTU. No público, uma cena inédita chamou a atenção: bandeiras desses partidos, do PDT, de diferentes movimentos sociais e de centrais sindicais sinalizaram a unidade que está se buscando construir para o dia 28 de abril, que pode ser marcado pela maior greve da história do país.

Fonte: Portal Sul21