quarta-feira, 12 de abril de 2017

Possibilidade de privatização do Banrisul é rejeitada na Câmara

Sindicato lamentou o acordo de renegociação da dívida do Estado e defendeu a importância do banco.

Foto Tonico Alvares/CMPA
A importância do Banrisul para o desenvolvimento econômico do Rio Grande do Sul e o risco de privatização do banco foram temas do período de Comunicações, durante a sessão ordinária desta quarta-feira (12/4), na Câmara Municipal. Para falar sobre os assunto, o Legislativo recebeu o presidente do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região (SindBancários), Everton Gimenis, além de contar com a presença de funcionários da entidade nas galerias. A iniciativa foi da vereadora Sofia Cavedon (PT).

Gimenis destacou que a defesa do Banrisul público é uma luta importante para a sociedade gaúcha, lembrando o que chamou de “sanha privatista neoliberal dos anos 90”. “Na época, fizemos uma grande mobilização para impedir a privatização”, afirmou. Ele também lembrou a abertura de capital da instituição ao capital privado, feita pelo governo Yeda Crusius. “Foi um mau negócio, em que o Estado perdeu mais de R$ 1 bilhão em dividendos”, atestou.

Foto Elson Sempé Pedroso/CMPA
O presidente do SindBancários também criticou a possibilidade de privatização de outras empresas estatais, como a CEEE, a Sulgás e a CRM. “Se vender estatais fosse solução, o problema da dívida já havia sido resolvido”, salientou. Para ele, há “um grande consenso” na sociedade gaúcha contrário à desestatização do Banrisul. “Em 96 municípios gaúchos, ele é o único banco presente, pois os grandes bancos privados não se preocupam com o papel social”, garantiu.

Renegociação da dívida

Ainda conforme Gimenis, o acordo proposto pelo governo federal para a renegociação da dívida é lesivo ao Estado. “O que se propõe é apenas uma moratória de três anos, em vez de diminuir a dívida, deixando o Rio Grande do Sul sem instrumentos de desenvolvimento”, sublinhou. De acordo com ele, há outros caminhos para gerar receita ao Estado, como a recuperação de recursos da Lei Kandir, questionar e revisar isenções fiscais e abrir a “caixa-preta da sonegação”. “Segundo os técnicos da Fazenda, bilhões de reais são deixados de arrecadar com a sonegação fiscal”, disse.

Foto Elson Sempé Pedroso/CMPA
Por fim, o orador afirmou que a iniciativa de privatizar bens públicos não é de natureza econômica, mas ideológica. “A intenção é abrir mão de serviços de qualidade e entregar ao povo o Estado mínimo, que prejudica as pessoas mais pobres”, declarou. Conforme Gimenis, mesmo que o governo estadual negue, há sinais que podem corresponder à privatização. “O banco parou de chamar concursados, criou planos de demissão e vem precarizando os serviços, para colocar a população contra a instituição”, disse, convocando os vereadores a participar da luta pela manutenção do banco público. “O Banrisul é lucrativo, passa dividendos ao Estado e permite a ele fazer política econômica para ajudar os que mais precisam”, completou.

Sofia elogia a campanha do Sindicato

Parabenizando a mobilização dos bancários, Sofia Cavedon elogiou a campanha, encabeçada pela categoria, que apresenta “dados muito consistentes que nos ajudam a defender a causa e explicar aos gaúchos a importância do banco para o Estado”. A vereadora expôs que 96 cidades gaúchas só possuem agências do Banrisul e que a maior parte das contas é gerida por trabalhadores. “O banco é inclusivo: desburocratiza o sistema e dá acesso a quem vive do seu próprio trabalho”. Ao final, ela afirmou que esta “não é uma luta corporativa, mas uma luta pela autonomia e pelo desenvolvimento econômico do nosso Estado”. (CM)

Veja a íntegra da matéria no Portal da CMPA.