quarta-feira, 24 de maio de 2017

Eleições Gerais Já - Por Jonas Tarcísio Reis*

Há um verdadeiro conluio entre o alto empresariado, o setor midiático e o capital financeiro contra o povo brasileiro. Derrubaram Dilma, usando como massa de manobra, levas e levas de trabalhadores da classe média nacional, que foram às ruas bradar contra a corrupção de forma seletiva, com o chavão: “Fora PT, Fora Dilma”! Mas, na verdade, foi um duro golpe no sistema democrático, já débil, porque o dinheiro sempre mandou nas eleições e no congresso, salvando-se apenas uma minoria incorruptível. Pasmem, há um ano, os salvadores eram Eduardo Cunha, preso pela Lava-Jato, e Aécio Neves, afastado do mandato de senador por envolvimento com propina e suspeito de planejamento de assassinato e o atual presidente, Michel Temer, que teve inquérito aberto para ser investigado por três crimes: corrupção, obstrução à justiça e organização criminosa.

A democracia esfarelou. A nação está fragmentada entre a volta ao passado sem direitos ou um futuro incerto. A sociedade está temerária. O mundo político não goza mais nem de 10% de credibilidade. O Governo Temer acabou na noite de 17 de maio de 2017. O presidente golpista está fazendo hora-extra no planalto. O conglomerado midiático liderado pela Globo abriu fogo contra Temer, pois este não tem mais condições de fazer avançar as Reformas Trabalhista e Previdenciária, grande objetivo do golpe iniciado após as eleições de outubro de 2014. Inclusive, a RBS explicita em seu folhetim da ZH de 20 e 21 de maio, na página 28, a defesa das reformas contra os trabalhadores, dizendo da falta de condições de Temer para levá-las adiante.

Nesse triste episódio de ataque às instituições do Estado, PSDB e PMDB são meros instrumentos das Oligarquias e do grande Capital. Essa trama de forças de direita procura, agora, um novo representante, para continuar a saga de retirada de direitos sociais, de redução da interferência e regulação do Estado no Mercado. A demonização da política vende notícias e colou bem no Brasil. Nenhum partido está conseguindo se consolidar como alternativa. Todos, de uma forma ou de outra, se envolveram com o empresariado corruptor. A política está sendo execrada. A mídia surfa, produzindo uma falsa opinião pública. Nunca antes ficou tão clara a forma de organização da sociedade política em torno de uma elite nacional apodrecida de tanto acumular dinheiro.

A sede do Deus Mercado é implacável. A lógica central é rumo a agudização da acumulação. Trata-se de um caminho aparentemente sem volta. Jamais havíamos vivido um tempo onde tão poucos detessem o poder de direcionar o país através de meia dúzia de canais de televisão. Subestimamos em demasia o poder da mídia na produção e reafirmação de uma cultura do ódio à política e de conivência exacerbada com a retirada de direitos dos cidadãos. Parece que a maioria da população tornou-se masoquista, que não se indigna com as reduções e congelamentos dos investimentos em saúde e educação, por exemplo. O grito insano, sem reflexão, de juntar todos no mesmo saco da corrupção, deixando os corruptores (que estão atolados até o pescoço com o sistema midiático sonegador de impostos) correrem soltos em acordos de “leniência” com o Ministério Público, em delações que não têm mais fim. Onde não conseguimos distinguir o verdadeiro do inventado, pois não se precisa mais de provas para condenar. É a própria banalização da República: do Legislativo, do Executivo e do Judiciário. Ninguém confia em mais ninguém. O descrédito institucional tomou conta. A população à deriva, à mercê de um salvador da pátria. Tememos pelo amanhã.

Mas é preciso reagir com energia em prol do reestabelecimento da ordem democrática no Brasil. “Eleições Gerais Já” deve ser o trajeto da unidade da esquerda. Este é o caminho incontornável para salvaguardar o básico do texto de abertura da Constituição de 1988. Do contrário, ela pode ser rasgada por um possível aventureiro que tenha o vôo alçado por este conluio. O povo na rua é a solução única. As urnas devem falar mais alto. Este Congresso não tem legitimidade alguma para indicar e nem eleger um presidente, principalmente depois do vexame do último impeachment, onde pela prática das chamadas “pedaladas fiscais” retiraram o mandato de Dilma, quando agora sabemos que na verdade foi realizado por uma compra de votos milionária liderada pelo empresariado dilapidador da pátria (JBS e outros que ainda não “delataram”) e pela alta cúpula do PSDB e PMDB.

O momento não permite erros táticos às Centrais Sindicais, Sindicatos, Movimentos Sociais e Partidos de Esquerda. Ou se jogam unitariamente exercendo sua força de liderança em prol de Eleições Gerais, ou mergulharemos em uma armadilha, muito bem arquitetada pelas elites, a mídia golpista e a direita parasita deste país, que jamais fizeram algo em prol dos trabalhadores e nem pela democracia. O poder está no povo. Honremos a Constituição da República Federativa do Brasil, na defesa da soberania, da cidadania, da dignidade da pessoa humana e dos valores sociais do trabalho.

Se todo o poder emana do povo, tome o povo o que é seu de direito: O PODER. Vamos às ruas, trabalhadores!! Pelo futuro de nossas crianças, por uma sociedade menos injusta e pela dignidade brasileira: ELEIÇÕES GERAIS JÁ!

*Jonas Tarcísio Reis é professor e Diretor Geral do SIMPA.

Artigo publicado no Portal Sul21