quinta-feira, 4 de maio de 2017

Movimento defende Carris pública e transparente no 1º Colóquio da Bancada do PT

Foto Marta Resing
A Companhia Carris Porto Alegrense deve permanecer pública e voltar a ser a empresa de transporte referência de qualidade  em todo o país. Esta foi a síntese das intervenções dos participantes do colóquio “Qual a Carris que Queremos?”, realizado pela Bancada do PT na Câmara Municipal de Porto Alegre na tarde desta quarta-feira (03/05).

O debate foi proposto pela Comissão de Funcionários(as) diante das ameaças de venda da empresa e contou com a participação de ex-presidentes da Companhia durante a Administração Popular (1989/2004), período em que a empresa conquistou o título de melhor empresa de ônibus do Brasil.
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Os painelistas exibiram dados contundentes de que é possível prestar um serviço de grande qualidade e satisfação dos usuários e manter a motivação dos quadros a partir de uma gestão responsável e competente. A má-gestão  das últimas administrações municipais foram apontadas como motivadoras do sucateamento da frota, desmotivação dos funcionários e do recente déficit da empresa.

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Entre os encaminhamentos do debate está a apresentação objetiva da real situação a todas as bancadas na Câmara e ao Executivo. Além disso, foi informado que a bancada integra e apoia as Frentes Parlamentares em Defesa da Carris e em Defesa do Serviço Público. O vereador Odacir Oliboni também protocolou Projeto de Lei condicionando a venda de empresas públicas a realização de plebiscito.

No Executivo fomos agentes públicos capazes de gerir com qualidade e boa gestão. Vamos apresentar as propostas de como fazer, confirmou a líder da Bancada do PT, Sofia Cavedon, que conduziu o colóquio, que teve a presença também dos vereadores Adeli Sell e Marcelo Sgarbossa. Sofia afirmou que a Bancada do PT vai solicitar nova auditoria do Tribunal de Contas do Estado (TCE) com urgência na Carris.

Sucateamento intencional 

Foto Marta Resing
Os problemas são de gestão e nós não somos responsáveis pela situação” afirmou Cristiano Soares, que falou pela Comissão de Funcionários. Dos 358 veículos da empresa cerca de 80 ônibus estão parados por falta de peças, sem estimativa para voltarem a circular, afirmou. “Defendemos a Carris, forte, com papel estratégico para o desenvolvimento cidadão, includente e permanecer sob controle público”, concluiu.

A Comissão de Funcionários e o Sindicato dos Rodoviários apresentaram um diagnóstico e um conjunto de informações que confirmam o descuido na condução da Companhia. “Há uma série de movimento para inviabilizar a empresa dizendo que não é sustentável”. Há interesse em deixa-la à beira da dissolução para entrega-la ao capital privado. O vice-presidente do Sindicato dos Rodoviários, Sandro Abadi, disse que muitos ônibus que operam estão com pneus carecas, utilizando peças recicladas de outros carros, usando água da torneira para o sistema de arrefecimento e óleo queimado para completar o reservatório de óleo de motor. “A Carris hoje tem a frota mais velha da capital”, lamentou.

Funcionários ameaçados

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“Como funcionários estamos sendo massacrado, ameaçados de demissão por qualquer motivo e em pânico com gestões temerárias. Nos sentimos reféns”, denunciou Najla da Veiga, relatando que os administrados anunciam que 40% do quadro devem ser demitido. “Somos uma empresa que preza o bom atendimento e nos mobilizamos por isso. Mas estamos sendo desrespeitados e penalizados”, acentuou, respaldada por vários funcionários presentes.

O sucateamento da empresa, o encerramento da formação permanente, e o descalabro salarial entre os quadros de carreira e os Cargos em Comissão também foram relatados.

O funcionário da Carris e representante da CUT no Comtu, Alceu Webber, reforçou a estratégia do Executivo de sucatear e fragilizar a empresa para repassá-la à iniciativa privada. Listou linhas rentáveis já repassadas para operadores privadas e linhas deficitárias assumidas pela companhia pública. “Estão retirando receita e precarizando. Com esta fórmula não tem como não ter déficit”, ironizou, defendendo regulação  para evitar evasão de receitas e apontando superfaturamento em contratos com prestadores de serviço. Ele ressaltou ainda que Quando a Carris ganhou prêmios, “tínhamos em curso o Programa Qualidade Carris, responsabilizando tanto operadores quanto manutenção nas Unidades Focalizadas, onde havia quadros de transparência dos dados de cada período: absenteismo, acidentes, etc, e treinamento sistemático e permanente de todos os funcionários”.

Desvios e irregularidades

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“É um festival de irregularidades, com roubos e dezenas de apontamentos pelo Tribunal de Contas do Estado”, registrou o economista Paulo Müzzel, funcionário público aposentado e presidente da empresa em 1989/90. Com dados da própria Prefeitura, mostrou que as últimas gestões foram irresponsáveis,  levando a empresa a um quadro de prejuízos estimados em R$ 140 milhões nos últimos três anos. Destacou ainda que um dos fatores possível é o crescimento do quadro de funcionários que em 2000 era de 1377, atualmente está 2337.

Boa gestão é solução comprovada

Para Luiz Carlos Bertotto, especializado em empresas públicas, e gestor da Carris em 1993/94, é um absurdo pensar em privatizar. “É preciso modernizar e manter pública. Bem gerida pode-se fazer coisas de ponta e muito bem feitas. Já foi a melhor empresa de transporte do Brasil e dava lucro”, afirmou o ex-secretário municipal de Transportes, ex-presidente da EPTC, Detran e da EGR.

“É preciso controle na gestão da empresa, na gestão pública da receita do transporte como prevê a Lei de Mobilidade. “A Carris é uma empresa viável”. Já mostrou isso e tem vocação para atender a cidade. Só não vê quem pensa a cidade como negócio e não como espaço de cidadania”, registrou Mauri Cruz.

Texto: Stela Pastore | Edição: Marta Resing