segunda-feira, 12 de junho de 2017

Prefeitura vai terceirizar gestão dos espaços culturais

Foto Matheus Chaparini/Jornal JÁ
Cinemateca Capitólio, que já tem uma parceria em andamento com a Petrobrás, está na primeira leva
 
A classe artística de Porto Alegre foi surpreendida pela apresentação do novo modelo de gestão dos espaços culturais públicos a ser adotada pelo governo Marchezan.

“O modelo não foi discutido com a sociedade nem com os artistas”, reclama o presidente do sindicato dos artistas e técnicos (Sated), Fábio Cunha. Ele lembra o que o secretário municipal da Cultura, Luciano Alabarse, coordenou um festival de teatro com dinheiro público por mais de vinte anos, inclusive com funcionários públicos cedidos ao Porto Alegre em Cena. “Agora acha que Cultura não precisa de dinheiro público!”

Ao saber que haveria um seminário sobre o assunto, no dia 31 de maio, artistas e técnicos lotaram a Cinemateca Capitólio para debater e reivindicar pagamentos atrasados desde o governo anterior, além dos repasses deste ano.

Não imaginavam que o evento era para informá-los de que as parcerias público-privadas (PPP) responderão também pela área cultural do município. O seminário foi realizado em parceria com Instituto Odeon, de Minas Gerais, e CAF – Banco de Desenvolvimento da América Latina.

O modelo se assemelha ao do tucano Dória, em São Paulo. Na mesma tarde, artistas ocuparam a Secretaria de Cultura paulistana, pedindo a saída do secretário André Sturm. Lá, houve cortes de 43,5% nas verbas da Cultura, e centenas de demitidos nos equipamentos culturais da cidade.

“Já temos dois exemplos que não deram certo em Porto Alegre: o Iberê Camargo, que faliu, e o Araújo Vianna, que por falhas no contrato hoje cobra uma diária de 16 mil reais mesmo nos dias reservados à prefeitura”, aponta Cunha.

As primeiras experiências com gestão de organizações sociais (OS), segundo o secretário adjunto, Eduardo Wolf, serão a Usina do Gasômetro (que fecha para reforma depois de julho), a Cinemateca Capitólio e a Pinacoteca Rubem Berta.

Wolf também anunciou a intenção de estabelecer uma parceria com o Núcleo de Economia Criativa da UFRGS para definir “a gestão e os caminhos da cultura em Porto Alegre”. “Se nós pensarmos uma coisa e os números e as demandas forem outras, vamos para o lado que os dados nos mostrarem”, afirmou.

Nos próximos dias, as entidades que representam a classe artística decidem como vão cobrar do governo municipal os 7 milhões de reais do Fumproarte deste ano. “Ou Marchezan paga, ou conta o que faz com esse dinheiro que já foi repassado pelo governo federal”, resume Cunha. Eles podem se dirigir ao Ministério Público ou recorrer à Justiça Civil, abrindo um processo que  se arrastaria por três ou quatro anos.

Fonte: Portal Já