segunda-feira, 10 de julho de 2017

Instalada a Frente em Defesa dos Povos Tradicionais de Matriz Africana

Foto Marta Resing
Vereadores da Capital vão atuar contra a discriminação, o racismo e em favor de valores culturais.

A Frente Parlamentar em Defesa dos Povos Tradicionais de Matriz Africana foi instalada na manhã desta segunda-feira (10/7) no Plenário Ana Terra, da Câmara Municipal de Porto Alegre, com a participação de entidades representativas, vereadores e cidadãos que defendem a valorização desses povos. A iniciativa, construída de forma pluripartidária no Legislativo, com a participação dos movimentos que atuam na área, visa integrar o poder público e entidades para a promoção de ações e estabelecimento de políticas contra o racismo e em favor do conhecimento da história, da cultura e dos valores.

Foto Marta Resing
Presidida pela vereadora Sofia Cavedon (PT), a Frente terá, como coordenadores executivos, os vereadores Airto Ferronato (PSB), Clàudio Janta (SD) e a vereadora Fernanda Melchionna (PSOL), tendo a participação de diversos parlamentares. Os vereadores Roberto Robaina (PSOL) e André Carús (PMDB) também estiveram presentes no ato de instalação da  Frente. Também participaram da solenidade o vereador de Canoas Paulinho de Odé (PT), a vice-prefeita de São Leopoldo, Paulete Souto, e o coordenador nacional de articulação política do Fórum de Segurança Alimentar e Nutricional e da Teia dos Povos Tradicionais de Matriz Africana, Tata Edson.

Ao saudar o público, Sofia destacou a responsabilidade de conduzir a Frente coletivamente. "Vamos defender a história, os valores, os espaços e o importante trabalho social que desenvolvem os povos tradicionais de matriz africana”, frisou.

Na oportunidade, o Babalao Ifá Odumnola apresentou uma denúncia e pediu providências da Frente “conta os atos preconceituosos, o racismo e a discriminação da Igreja Universal”. Ele ainda defendeu ações em prol dos marcos legais dos direitos dos povos de matriz africana.

Os participantes assistiram a apresentações culturais e palestras

Diversos vereadores se pronunciaram. Fernanda ressaltou a necessidade de trabalhar a questão dos territórios negros e a regularização fundiária, o combate à discriminação e o reconhecimento à dimensão histórica do Brasil com os povos africanos. Carús disse que as atividades da nova Frente devem simbolizar a tolerância e o combate à discriminação. Robaina salientou que é preciso respeitar o fato de que, “dentro da nação chamada Brasil, há várias nacionalidades, muito mais ricas do que é imposto aos indivíduos”, lembrando que considera o racismo a maior discriminação. Janta falou de seu trabalho em defesa dos povos de matriz africana, destacando suas ações “para quebra de paradigmas e para sepultar os projetos de intolerância neste Legislativo”. Segundo ele, uma de suas iniciativas foi a inclusão do Dia do Exú Maré no calendário oficial de Porto Alegre.

Foto Marta Resing
O ato de instalação da Frente contou com a  apresentação cultural de Flávia da Silva, representante da tribo carnavalesca Os Comanches, e de Ana de Tandera; com a palestra Tradição Alimenta, Não Violenta, de Yá Vera Soares  dy Oyá Ladjá, ialorixá do Memorial 13 de  Agosto, coordenadora nacional de Mulheres do Fórum Nacional  de Segurança Alimentar dos Povos Tradicionais de Matriz Africana e da Coordenação Geral do Fonsanpotma/RS.

Houve ainda a palestra O Povo Tradicional de Matriz Africana, Sustentabilidade, Políticas Públicas para seu Desenvolvimento, com Baba Omi Luciano de Osalá, babalorixá que é historiador membro da Associação Nacional de História, coordenador nacional de Finanças e Desenvolvimento Econômico do Fonsanpotma e presidente da Cooperativa de Trabalho e Desenvolvimento dos Povos Tradicionais de Matriz Africana.

Encaminhamentos

Foto Marta Resing
Sugestões para serem debatidas pela Frente Parlamentar foram encaminhadas, como a histórica conquista do povo boliviano que em uma nova Constituição do país referendou uma inovação instituindo um "Estado plurinacional" e "intercultural", em que são reconhecidos regimes diferenciados de justiça, autoridade, conhecimento e propriedade para as comunidades locais (indígenas e camponesas).

Audiência Pública para debater as políticas públicas para os povos tradicionais de matriz africana será realizada pela Comissão de Economia, Finanças, Orçamento e do Mercosul (Cefor), com data a ser definida.

E instalação de uma teia parlamentar no Estado que atue em defesa desses povos também será constituída, com o ato de instalação a ser efetivado em breve.

Com informações do Portal da CMPA.

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