terça-feira, 25 de julho de 2017

Nenhum prefeito vence derrotando sua cidade (por Sofia Cavedon)

Publicado nesta terça-feira (25) no Portal Sul21.

Foto Marta Resing
São seis meses de governo novo na cidade, seis meses de conflitos pela falta de diálogo, imposição de medidas sem respeito ao construído, sem consideração e valorização do conhecimento da cidade e dos processos que funcionários/as e cidadãos/ãs têm. A tentativa de privatizar tanto diagnóstico, quanto planejamento da gestão, além de se mostrar ilegal, afastou o prefeito e seus secretários do conhecimento verdadeiro da cidade e de suas demandas.

A alteração da rotina escolar, antes mesmo de começar o ano letivo, desrespeitando o que foi organizado e decidido pelas comunidades escolares através da gestão democrática da educação no ano anterior, desencadeou um semestre inteiro de conflito com a Rede Municipal de Ensino.

Foto Marta Resing
A motivação repetida pelo prefeito é a melhoria da qualidade. As medidas tiraram horário das e dos estudantes da escola, reduziram tempo de preparo e formação dos/as educadores/as e resultaram na redução da alimentação escolar. As mães e pais, os/as estudantes organizados/as fecham o semestre fazendo protestos, inconformados/as. A falta de reposição de recursos humanos, durante o semestre todo, conturbou ainda mais a rotina escolar privando de aulas desde crianças pequenas até estudantes com deficiência! Que qualidade é esta?

Cidade da participação popular teve seu processo de Orçamento suspenso. A nova organização em grandes secretarias criou etapas burocratizantes, deletérias para algumas áreas, provocando a interrupção e o retrocesso em várias políticas públicas: na assistência social houve redução brutal no atendimento devido à interrupção de convênios, de nomeação de pessoal e de insumos fundamentais para o acesso a serviços como as passagens, as cestas básicas e bolsa família às pessoas mais vulneráveis. Em especial crianças e adolescentes estão perdendo oficinas e projetos do contra turno escolar, nas áreas mais violentas!

O modelo de estado mínimo propagado pelo prefeito está em curso e ameaça a identidade da capital. Que seria de nossa província cosmopolita sem seu Mercado Público, público? Sem sua centenária Carris referência para o sistema de transporte? Sem sua rede de esportes, lazer de recreação, trazendo competições internacionais e fazendo inclusão? Que é Porto Alegre sem sua participação popular alargada? Sem sua Escola Cidadã?

Já vivemos um Araújo Vianna elitizado, queremos este destino para a Usina do Gasômetro, para o histórico teatro Túlio Piva e para o Centro Municipal de Cultura?

São tempos de cidadania, apesar de menos democracia, Sr. Prefeito.

A capital dos gaúchos preza políticas públicas resultantes do diálogo de gestores e de funcionários/as valorizados com a população organizada.

Aprende e cresce com ela quem a respeita!

*Sofia Cavedon é vereadora do PT de Porto Alegre.

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