terça-feira, 1 de agosto de 2017

Papa Francisco defende sindicalismo forte

Para Papa Francisco o sindicalismo forte representa o elemento de equilíbrio entre capital e trabalho

Foto Vaticano
Mesmo dentro das categorias profissionais, há quem não entenda bem o papel dos sindicatos, como regulador das relações de trabalho e instrumento de defesa dos interesses dos trabalhadores. Mas para quem não consegue compreender que o sindicalismo acumula vitórias e conquistas para os trabalhadores (inclusive para os não sindicalizados), como elemento de equilíbrio entre o capital e o trabalho, é ninguém menos que o Papa Francisco quem ensina: “Não existe uma boa sociedade sem um bom sindicato”. A afirmação do líder maior do Catolicismo foi feita em reunião com os delegados da Confederação Italiana dos Sindicatos dos Trabalhadores (Cisl), no Vaticano, no mês passado.

Partindo do tema “Pela pessoa, pelo trabalho”, o Papa afirmou que as duas palavras devem estar juntas: “O trabalho é a forma mais comum de cooperação que a humanidade gerou nas sua história, é uma forma de amor civil”.

O ócio como direito

Francisco destacou que a pessoa não é apenas trabalho – também é preciso repousar, e “recuperar a cultura do ócio”. O líder espiritual exemplificou: “É desumano o caso de pais que não brincam com os filhos. Crianças devem ter o trabalho de estudar e os idosos deveriam receber uma aposentadoria justa”, pregou.

Aposentadorias e desigualdades

Sobre a aposentadoria – hoje tão atacada pelo atual governo ilegítimo de Temer, junto com outros direitos trabalhistas – o Papa colocou o dedo na ferida: “As aposentadorias de ouro são uma ofensa ao trabalho, assim como as de baixa renda, porque fazem com que as desigualdades do tempo de trabalho se tornem perenes”.

Novo pacto social e desafios

Para o papa, é “míope” uma sociedade que obriga os idosos a trabalhar por muitos anos e ao mesmo tempo deixa uma geração inteira de jovens sem trabalho. Por isso, ele considera “urgente um novo pacto social para o trabalho”.

O papa Francisco indicou dois desafios que o movimento sindical deve enfrentar e vencer se quiser continuar desenvolvendo seu papel essencial pelo bem comum: a profecia e a inovação. “A profecia é “expressão do perfil profético da sociedade”, explicou. “Mas nas sociedades capitalistas avançadas, o sindicato corre o risco de perder esta natureza profética e se tornar demasiado semelhante às instituições e aos poderes que, ao invés, ele deveria criticar. Com o passar do tempo, o sindicato acabou por se parecer com os partidos políticos. Ao invés, se falta esta dimensão, a sua ação perde força e eficácia”, disse.

Economia social de mercado

O segundo desafio é a inovação. Isto é, proteger não só quem está dentro do mercado de trabalho, mas quem está fora dele, descartado ou excluído. “O capitalismo do nosso tempo não compreende o valor do sindicato, porque esqueceu a natureza social da economia. Este é um dos maiores pecados. Economia de mercado: não. Digamos economia social de mercado, como nos ensinou São João Paulo II”.

Mulheres e jovens

No entender do dirigente da Igreja Católica, “talvez a sociedade não entenda bem sindicalismo porque não o vê lutar suficientemente nos lugares onde não há direitos: nas periferias existenciais, entre os imigrantes, os pobres, ou não entende simplesmente porque, às vezes, a corrupção entrou no coração de alguns sindicalistas”. Francisco pediu mais empenho em prol dos jovens (cujo desemprego na Itália é de 40%), e das mulheres, que ainda são consideradas de segunda classe no mercado de trabalho.

Periferias

Habitar as periferias pode se tornar uma estratégia de ação, uma prioridade do sindicato de hoje e de amanhã, indicou o Papa. “Não existe uma boa sociedade sem um bom sindicato. E não há um bom sindicato que não renasça todos os dias nas periferias, que não transforme as pedras descartadas da economia em pedras angulares. Sindicato é uma bela palavra que provém do grego syn-dike, isto é, ‘justiça juntos’. Não há justiça se não se está com os excluídos”, concluído.

Fonte: Imprensa SindBancários com informações da Rádio Vaticano.