sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

“Um ano perdido”, muitos dirão: de crise política, econômica, ética... - Por Sofia Cavedon

Artigo publicado na edição impressa desta sexta-feira, 29/12 do jornal Correio do Povo.

O ano de 2017 é mais do que isso: ano de achados, eu afirmo. Porque diante dos ataques do movimento “escola sem partido”, revelaram-se grandes professoras que se movimentam pela Escola sem Mordaça. Para a volta da censura na cultura, mais uma vez, a irreverência insurgente da Arte, a manifestação inequívoca e rigorosa dos artistas e intelectuais, a coragem do movimento LGBTI, todos denunciando a hipocrisia da sociedade que explora a sexualidade para o lucro e explora a inocência do senso comum contra a liberdade!

Aos que não respeitaram em 2017 a liberdade das mulheres, da sexualidade, da religião, com tentativas de retrocessos até na legislação, novas marchas, novas faixas, jovens vozes: Meu Corpo, Minhas Regras, senhores e senhoras!

Aos que querem vender tudo: a água, a Carris, o pré-sal, a FM Cultura, o Banrisul, ecoou a vaia, o combate sem trégua, nas ruas, nos parlamentos, as petições, as ações, as votações populares.

E aos que pedem, cegos pelo medo - ingênuos talvez, autoritários quiçá - a volta da ditadura militar, os testemunhos de Flavio Koutzii - história sofrida de novo, livro que acende memórias e consciências - do Raul Pont, ensinando e persistindo na resistência, do Raul, o Ellwanger, cantando, organizando para que se repare, se puna e não se esqueçam que sem democracia é a morte, é a arbitrariedade. Por suas e tantas outras incansáveis vidas dedicadas a ela: ditadura nunca mais!

E aos que impuseram em 2017 menos direitos ao trabalho, à vida e à aposentadoria, se levantam sindicalistas, mulheres campesinas, juventudes com determinação: revogar com a força popular.
Aos que autorizam racismo, machismo, homofobia - no vestibular, na política, na piada, na confraria - a combatividade e autoridade dos “Joãos e das Marias”. Esses sim, os verdadeiros soberanos da história, da cidade, da vida.

Com tantos “achados”, não podemos dizer que 2017 foi perdido. Ninguém pode desanimar. É possível acreditar que com política e poesia, debate, luta e empoderamento popular, em 2018 teremos outra história para contar!

Sofia Cavedon - Vereadora do PT/PoA