quarta-feira, 30 de maio de 2018

O gás de cozinha custa 10% do salário mínimo! A greve dos petroleiros é pela soberania do país!

Foto Gabinete
Sofia Cavedon (PT) manifestou-se nesta quarta-feira (30) na Câmara Municipal de Porto Alegre, sobre a greve dos petroleiros e o ato em frente à Refap em apoio a interlocução dos sindicatos com a categoria, no qual esteve presente.

Conforme a parlamentar, estavam lá representações de várias centrais sindicais defensoras dos trabalhadores, que compreendem a importância estratégica da greve. Sofia lembrou que, mesmo tendo o insumo, a refinaria trabalha com 60% da sua capacidade, não refinando o petróleo e não produzindo o "nosso” próprio óleo diesel e gasolina.

Dentre outras mudanças na Petrobras, falou do fim do fundo soberano de 26 bilhões de reais, que será usado para pagar uma dívida, deixando de representar a soberania do país.

“Um país em que o gás de cozinha custa 10% do salário mínimo e em que o diesel a e gasolina aumentam diariamente não pode se dar o luxo de priorizar empresas estrangeiras e o lucro, leiloar o petróleo e vender refinarias. Essa greve é pela soberania do país!”, afirmou Sofia.

Assista aqui:

Leia também: Subsídios para o Diesel Importado? 

Recentemente, o conselho de administração da Petrobras, negligenciando os efeitos danosos da volatilidade no preço do petróleo para a atividade econômica, decidiu manter os preços dos combustíveis alinhados com os preços dos derivados no mercado internacional, independentemente dos custos de produção da companhia. Com essa política, a empresa passou a repassar os riscos econômicos da volatilidade dos preços para os consumidores com o objetivo de aumentar os dividendos de seus acionistas. A crise provocada pela reação dos caminhoneiros a essa política é fruto desse grave equívoco. Para superar essa crise, é indispensável rever essa política. No entanto, o governo decidiu preservá-la, propondo um subsídio para o diesel com reajustes mensais no seu preço. O governo estima que essas medidas custarão R$ 13 bilhões aos cofres públicos até o final do ano, dos quais mais de R$ 3 bilhões serão gastos para subsidiar o diesel importado O ministro Guardia justificou essa medida econômica heterodoxa como necessária para preservar a competitividade do diesel importado. O Brasil importou 25,4 milhões de barris de gasolina e 82,2 milhões de barris de diesel no ano passado, porém exportou 328,2 milhões de barris de petróleo bruto. Na prática, esse petróleo foi refinado no exterior para atender o mercado doméstico, deixando nossas refinarias ociosas (31,9%) em março de 2018. Nesse processo, os brasileiros pagaram os custos da ociosidade das refinarias da Petrobras e aproximadamente US$ 730 milhões anuais pelo refino de seu óleo no exterior. Não é racional que o Brasil subsidie diesel importado para absorver a capacidade ociosa de concorrentes comerciais. A Petrobras foi criada para garantir o suprimento doméstico de combustíveis com preços racionais. Não é razoável que o presidente da Petrobras declare que o petróleo produzido no Brasil é rentável a US$ 35 dólares/barril e proponha oferta-lo aos brasileiros a US$ 70/barril.

Professores do Instituto de Economia da UFRJ: Adilson de Oliveira | Ary Barradas | Carlos Frederico Leão Rocha | David Kupfer | Denise Lobato Gentil | Eduardo Costa Pinto | Fernando Carlos | Isabela Nogueira | João Saboia | João Sicsu | José Eduardo Cassiolato | José Luís Fiori | Karla Inez Leitão Lundgren | Lena Lavinas | Lucia Kubrusly | Luiz Carlos Prado | Luiz Martins | Marcelo Gerson Pessoa de Matos | René Carvalho | Ronaldo Bicalho | Victor Prochnik.